quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Em alguns momentos, temos a impressão de que Deus está muito distante como se estivesse indiferente às nossas necessidades, sem pressa alguma em nos atender. Surge, a partir daí, uma tensão entre a nossa pressa e a aparente demora de Deus. O resultado, não raro, é a sensação de abandono, de agonia e de impotência total.Há três reflexões que precisamos fazer nessas ocasiões.
A primeira, Deus não tem pressa! O agir de Deus como Senhor do tempo, da vida e da história é na exata medida de sua precisão. Ele é perfeito em tudo que faz. A pressa é própria do homem. Nossas neuroses não combinam com a paciência de Deus, sendo sempre bom lembrar que a nossa pressa não altera a ordem natural das coisas. O fluxo da vida é como o leito de um rio, que corre sozinho, sem pressa que ninguém precise apressá-lo.
Em segundo lugar, a aparente demora de Deus deve ser entendida por nós como um tempo que, enquanto esperamos, Ele nos está ensinando algo. Muitas vezes, é na expectativa da espera que encontramos tempo para um mergulho em nossa interioridade, mudamos nossas percepções, refletimos sobre nossos valores, sentimentos e prioridades. Esperar, origina uma forma de aprender. Quando esperamos por Deus, estamos aprendendo com ELE.
Uma terceira reflexão que deparamos no espaço do tempo entre a procura e a resposta, é que na vida nada melhor que um dia após o outro. O tempo sempre nos traz à luz aquilo que não conseguimos enxergar de imediato, porque a pressa encobre nossa visão. Conseqüentemente, a paciência produz a experiência, e a experiência nos conduz à esperança. Quem quiser colher frutos no futuro, precisa aprender a plantar esperança e paciência. Logo, por que apressar o rio se ele corre sozinho e naturalmente? A cultura do imediato, das respostas prontas, da comida rápida e das demais neuroses que a sociedade moderna nos impõe, acaba roubando de nós a paciência, uma das virtudes mais indispensáveis para quem quer viver uma vida melhor, e colher os frutos de um amanhã abençoado. A vida desenvolve uma contínua construção, sempre inacabada, que exige repensar valores, vivenciar novos sentimentos, aprender novas lições, conquistar novos espaços e vislumbrar novos horizontes. Ela é um aprendizado forjado nas lições do cotidiano.Deixemos pois, que cada dia dê conta de si mesmo.
Tenhamos sempre em mente que Deus está no controle de tudo, inclusive do tempo.
Por que, então, apressar o rio? ou melhor, Não apresse o rio !


“Não andeis ansiosos com coisa alguma ...”

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